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10.11.03



As fotografias do Encontro no Retorta.


6.11.03

Encontro Informal de Blogues aos olhos e ouvidos de um mero sonhador 

Foi aos "olhos" da estátua do Infante D. Henrique e outros grandes navegadores portugueses que decorreu este encontro. Um encontro numa sala mediática, de grande força histórica, com um mapa mundo de fundo para nos guiar nas nossas reflexões sobre este mundo paralelo (ou talvez não) de blogues.

Começo logo por lamentar os meus 30 minutos de atraso, entrei nesta sala e já Maria João Nogueira se encontrava a terminar a sua apresentação sobre a nova plataforma do SAPO para blogs (que se encontrará disponível a partir desta segunda feira). Na sala ecoou a frase que o sapo vai apostar fortemente nos blogs (xxx.blog.sapo.pt), e que dificilmente faria uma associação ao blogspot, dado este já contar com o apoio do google e ser um servidor estrangeiro. Assim, na palavra de Maria João Nogueira, o SAPO compromete-se a oferecer (sim gratuitamente) mais e melhores serviços que o blogspot (fico à espera...).

Paulo Querido dirigiu-se à mesa para explicar o que é isto de um blog. Foi inevitável a discussão em torno da palavra blogosfera por ele utilizada, discussão esta, que já muitos caracteres fez correr no Fórum PTweblogs. Falou também do seu serviço público e não deixou de ser engraçado, saber-mos que nisto dos blogs, às vezes um pontapé na ferramenta ajuda a que a mesma se repare.

Pedro Lomba na sua intervenção levantou a questão: "'Porquê temos um blog?', será para nos chamarem de narcisistas? Todo aquele que tem um blog é necessariamente narcisista, se estamos ali, é porque queremos ser lidos". Pedro Lomba, não deixou passar ao lado o facto de o blog ser um excelente exercício de escrita, "é uma disciplina, ele obriga-nos a ir lá todos os dias". "Por outro lado, o blog, é um meio rápido e fácil de por o meu nome a correr na blogosfera". Assim, é sem dúvida importante alimentar o blog, só assim conseguimos manter as pessoas que nos visitam, podendo isso ser bastante desgastante.

(Sim... começávamos a falar cada vez mais em audiências)

Paulo Querido, intervêm propiciamente, dizendo que no blog, ele sente a mesma responsabilidade que sente no jornal para o qual ele trabalha, mas de formas diferentes.
Oportunamente, Mónica eleva a voz a dizer que o blog é mais que uma audiência, é uma afinidade com aquilo que se está a trabalhar. Falou-nos também do blog universitário e as suas utilidades.
De jornalista para jornalista, levanta-se uma pergunta pertinente: "Se na coluna infame escreviam para ser um espaço livre, e ao mesmo tempo se escreve num jornal, o jornal não é um sítio livre?" ... risos e sobrolhos levantados... Pedro Lomba responde: "A imprensa tem um público diferente. Nos blogs há coisas que se lêem, em que a pessoas respira liberdade, num jornal a liberdade não é total".

Findado o debate com Pedro Lomba, José Mário Silva vem-nos explicar a utilidade do blog, os fins de um blog, bem como as suas facilidades. Na ideia fica a frase de que "o blog é um espaço de democracia, é livre, qualquer pessoa pode ter, ler e comentar, estão no seu direito".
Paulo Pereira, do Blog Social Português, lança a questão de como vêm os jornalistas os não jornalistas blogueiros? José Mário Silva diz que os jornalistas têm hábitos e disciplina de escrita, mas isso não é relevante, há pessoas que têm ritmos bem mais rápidos e nem são jornalistas. As maiores surpresas têm sido pessoas que não têm a dita experiência de escrita, nunca publicaram nada, no entanto isso é insignificante.

Pedro Farinha, explicou o que era, e de onde vinha, o Farol das Artes, sugeriu a palavra blogoespaço ao invés de blogosfera, uma vez que espaço dá mais a noção de algo em expansão e esfera limita mais este mundo (partilho a mesma opinião).

O Mário, o nosso fotografo de serviço, manifestou a sua indignação em apenas se ter abordado os blogs escritos, os lindos textos, e terem-se esquecido da fotografia, os fotoblogs, que a meu ver são de uma grande projecção onde perco imenso tempo a contemplar a minha vista com a dita arte.

Para terminar as intervenções, Tiago Costa contou-nos em primeira mão, a visão e experiência de alguém que não anda no mundo dos blogs à muito tempo, as dificuldades que o mesmo encontra para se diluir nas muitas discussões que para uns são tão relevantes e para outros nem por isso.

Não podia deixar de dizer que ia preparado para falar sobre o Fórum PTweblogs, fórum da comunidade portuguesa de bloggers (onde sou moderador), e sobre o canal de IRC #Blogger da rede portuguesa de IRC, a PTnet, onde sou o founder. Iria falar nestas formas de encontro entre bloggers, nas portas que um blogger abre ao conhecimento de novas pessoas, etc, etc, etc...

Bem ou mal, congelei a minha inscrição, disse ao Henrique Manuel que já não iria falar. E porquê? Na minha opinião, muito se discutiu e se falou, mas bem espremido o sumo é de apenas 40 % do que se disse (a meu ver claro), a polpa sobrante seria a conversa que nos permitia ficar ali a falar.. e falar ... e falar ... e a conversa mais parecia a "conversa típica de casa de banho" (by naufrágio). Falou-se muito em audiências, tops, do termo "blogosfera" e poder-se-ia falar de assuntos mais intrínsecos a este mundo.

Em suma, a experiência foi boa e é bom que se repita, espero que na próxima vez seja num dia e hora mais acessível à maioria.

Gostei imenso de trocar cumprimentos e algumas palavras com a Catarina Campos, a Sara Oliveira, Maria, Mário, Henrique Manuel, entre outros...

Próximo evento? Um jantar 120% informal?


Por Gonçalo Trafaria - Blog: Evasões de um sonhador


5.11.03

Intervenção no EIB do blogue O Melhor Anjo  

Blogo, logo existo?

Esta comunicação deveria chamar-se O vizinho do Lado, porque queria falar sobre isto de ser parte de uma comunidade abstracta e invisível, que afinal toma forma. Mas levantou-se-me uma questão: quem é que sabe - saberei eu? - que o meu blog não é só mais um blog?

Diz o Alexandre O’Neill, a páginas 450 do seu tijolo de poemas, que «no comboio havia um compartimento especial para tímidos, mas estava sempre ocupado.» Ora, timidez foi coisa que nunca se me atravessou pela frente, a não ser em alturas em que não assumia as coisas pelos nomes. O que desde logo me colocou outra questão: que nome é aquele que escreve coisas que eu, por vezes, não reconheço?

Esse nome era, é, o meu: Tiago, vulgo blogger, agora já não anónimo, no Melhor Anjo. Lê-se, e escreve-se, omelhoranjo, assim tudo junto, como se fosse uma só palavra. Para se ler de um só fôlego. E quase dois meses depois o fôlego - o meu - tomou-se uma respiração mais pausada. Chegou a faltar, por vezes. Chegou a ser uma respiração acelerada, cansativa até. Disruptiva, em dias. Agora é inspirar, expirar, inspirar, expirar. Só que às vezes esqueço-me da mecânica... O que coloca nova questão: que velocidade imprimir a um blog?

Ao princípio, tomasse a forma que tomasse, um blog seria sempre uma descoberta. Naquele tempo, em que os blogs que via eram os blogs dos vizinhos, havia uma série de palavras que me eram desconhecidas. Hoje, orgulhoso, blog e post e template já tem significado, ainda que a minha explicação seja sempre atabalhoada e essas sejam as únicas palavras que conheço. Continuo sem descobrir o meu URL, o acesso ao e-mail não funciona e imagens nos posts são uma miragem. Já nem me preocupo com a falta de acentuação no cabeçalho. Retirei os acentos e antes um cabeçalho assim mas legível que um outro que pareça atacado por um vírus. O que levanta mais uma questão, quem é o sr. Blogger que dá indicações, mas não facilita a resolução de problemas?

Dizia, então Tenho Um Blog. E perguntava-me se não me iria cansar, se não me achava incapaz de construir algo tão abstracto. Eu, que nem sequer um tamagotchi tinha sido capaz de alimentar, que já dispensei um gato, que mudei de casa quase tantas vezes quantas as freguesias de Lisboa e isto sem entrarmos no número de pessoas que me deixam de falar todos os dias - e não incluo aquelas que lêem o meu blog. O que me coloca uma nova questão: para quem se escreve, quando se escreve um blog?

Mas eis-me aqui em pensamento solto, discorrendo sobre mim e o meu blog, quando o que deveria fazer era lançar perguntas para discussão; contribuir para uma ideia de blog, para uma teoria do blog. Afinal, isto do blog é uma moda passageira, um artefacto, uma achega para o status ou um cliché?

Por mim, confesso, que na origem do melhor anjo não esteve um apelo cívico, nem uma qualquer espécie de chamamento. Foi... assim. Segui as instruções, menti numa ou noutra coisa e o resultado foi um blog. Agora, penso em conjunto e perpetuo-me. O que me faz perguntar: que memória fica destas intervenções? Quem anda a tomar notas?

Mas à medida que surgem estudos, notícias, comentários e opiniões que vão permitindo identificar quem é o quê neste mundo dos blogs e a necessidade de se desenhar um perfil é mais premente, pergunto: somos mais ou menos bloggers consoante o que escrevemos, o que comentamos, no número de inclusões em listas de vizinhos e até na originalidade absurda das combinações que se podem fazer para chegar ao nosso blog.

Talvez os blogs tenham vindo suprir uma certa carência de espaços de opinião que pudessem ir além da mesa de café, do banco de autocarro, da conversa cruzada na fila do pão. Ainda que sejam sobretudo opinativos e muitas vezes, umbiguistas. Mas afinal, como se lia no outro dia, um comentador é aquele que não conseguiu fazer o que queria.

No universo bloguístico (blogueiro), onde há de tudo, parece-me que uma ideia geral deverá ir ao encontro do seguinte: os bloggers terão que ser pessoas com um sentido de observador, muito mais que crítico e acusador. Se são de um nível cultural e social mais elevado que a maior parte do cidadão comum não sei. Hoje em dia acho falta de imaginação dizer-se que só alguns tem acesso às coisas. Eu defendo que, depois de descontadas todas as circunstâncias e devidamente contextualizadas as causas das mesmas, só lá não vai quem quer. O que significa que, em vez do mundo se dividir entre quem tem um blog e quem não tem, cada vez mais se divide entre quem forma uma opinião e a expressa e quem a lê, a ouve, e, eventualmente a partilha com outros, concorda ou discorda, segue ou ignora. Há, portanto, tem de haver, como disse em tempos o director do PÚBLICO, uma responsabilização das elites, e, acrescento eu, trabalhando, por isso, e com as devidas distâncias, na construção de uma nova “elite” aqueles que criam um blog. Uns mais que outros claro. Eu, com muitas dúvidas, na certa. Afinal, o país ficou maior desde que o fenómeno se instalou. Agora afirmo, copiando o O’Neill: «Já sabemos, país, que és um homenzinho...» Eu, pelo menos, percebi que a ideia de uma comunidade pensadora e atenta se tornou concreta.

Blogo, logo existo? Sim ou não? Porque observadores, porque críticos, porque inquiridores, porque cruzam informações, porque levam para além de si as ideias que os fazem mover, porque se implicam e porque se querem ser... por isso, e para se ser blogger basta que se pense. E antes que se ouça a buzina da fábrica a gritar Bloggers de todo o país, uni-vos, acrescento somente, que a teoria do blog, ou o perfil do blogger ou o pensamento bloguiano é algo tão abstracto como saber-se ficar calado quando não se sabe o que dizer, à lá Wittgenstein. Que quis eu dizer com esta comunicação? Não sei. Mas a nós, nunca nos ensinaram a não opinar. Num país onde no coração de cada um vive um treinador de bancada, um analista político ou um sensaborão taberneiro, o melhor é saber que quando se olha de cima tudo parece mais simples do que aparentemente é. É que a nós, os humanos com opinião, falta ainda um longo caminho a percorrer para chegarmos a anjos. E mesmo lá é melhor não esquecermos de onde viemos.

Tiago Bartolomeu Costa
O Melhor Anjo
30 Outubro 2003

4.11.03

O Rescaldo Prometido - Avatares de Um Desejo 

Como prometido dedicarei as próximas linhas para falar do Encontro Informal de Blogues ─ na verdade foi mais um encontro de bloggers ─ decorrido na passada quita feira na Sociedade de Geografia. Aviso: não levei caderno de apontamentos.
Embora o ambiente fosse bem descontraído, a informalidade não foi total, para isso contribuíram diversos factores:
Um espaço físico austero, marcado pelas estátuas dos nosso navegadores, convidando à solenidade de um museu.
Um programa que embora fosse flexível estava mais ou menos estruturado com apresentações.
O facto de a disposição não ser a de uma mesa redonda, mas a de uma plateia que às vezes assumia uma formação mais circular
A circunstância de, pelo menos aparentemente, todos intervenientes estarem sóbrios. A rever.
Conclusão: o carácter semi-informal favoreceu a reflexão e a discussão, quiçá molestando um pouco convívio.

Embora havendo mais rapazes, penso que a proporção de sexos estava mais ou menos equilibrada, certamente mais do que aquela que vigora na própria blogosfera. Ao princípio a composição geral era mais sénior do que seria de esperar, mas com o evoluir da tarde houve um gradual processo de juvenilização.

Começo pelas impressões pessoais, no fundo as pessoas que falei e/ou consegui associar aos respectivos blogues. A certa altura, quando foi preciso queimar um tempo para chegar alguém, propus que todos se apresentassem, como é óbvio não consegui associar todos as pessoas aos seus blogues, mas, pelo menos, assim posso falar dos que me lembro. A minha cusquice saiu beneficiada.
Finalmente conheci o socioblogue, um dos primeiros interlocutores que tive nesta blogosfera, é mais novo do que a sua erudição sociológica poderá fazer suspeitar. O crítico mostrou ser um anfitrião entusiasmado, simpático e divertido, algo diferente do que o seu blogue, comedido e dedicado à música clássica, sugere. Lá estava o Mário do Retorta, ao princípio pensei que era o fotógrafo de serviço depois percebi que era um blogger com uma irresistível pulsão para a imagem. A bela Luísa de Macedo de cavaleiros confessou-se leitora do avatares, lá lhe consegui pedir a sua morada. Cumprimentei o Tiago do melhor anjo, a quem perguntei se havia ficado contente com a minha réplica às questões que ele colocou em torno do xoxo da amizade. Bebi um galão com o Paulo Pereira do Blogo Social Português, trocámos algumas impressões sobre os fóruns sociais que aí vêm. JCD (Jaquinzinhos) chegou mais tarde, sentou-se num lugar do fundo, e revelou-se na apresentação, é verdade, ele e o crítico estiveram na mesma sala, naquilo que já é um dos mais épicos confrontos da blogosfera. No fim falei com o Pedro Mexia e com o Zé Mário, sou leitor dos seus blogues há algum tempo, por isso, é com desvelado agrado que registo a sua simpatia para comigo. Troquei também amistosas palavras com Paulo Querido (O vento lá fora), Joaquim Nogueira (Respirar o Mesmo ar) e Pedrof (Contra factos e argumentos). A catarina do 100 nada também me pareceu bastante simpática. É um facto, havia por lá muita gente simpática e bonita, portanto a tese de que os bloggers se escondem atrás de um computador por falta de desenvoltura social saiu bastante beliscada.

Discorro agora umas palavras sobre as intervenções feitas a partir da mesas, falo, claro, do que me recordo:
1-A representante do sapo falou acerca da nova plataforma portuguesa para blogues a entrar em funcionamento a partir de 03/11/2003- A discussão centrou-se nos limites que o sapo iria estabelecer ao gerir a liberdade de expressão dos seus utilizadores
2-Paulo Querido narrou da sua experiência com a sua plataforma de blogues e das crises de crescimento que ela tem tido. Brindou-nos com ma miríade de aspectos técnicos menos conhecidos e partilhou descobertas insuspeitas acerca do uso dos blogues.
3-Pedro Lomba, num estilo négligée que lhe fica bem, deixou algumas reflexões, muito interessantes, sobretudo pelo cunho pessoal que lhes imprimiu: o blogue como um necessário exercício de disciplina; a apetecível descoberta de interesses comuns: “É que eu tenho poucos amigos como eu”; o confesso carácter narcisista da sua escrita no blogue; a inédita oportunidade criada pela blogosfera para que quem escreve bem possa mostrar o que vale e tirar daí ganhos pessoais. Antes de terminar defendeu ainda que a escrita num blogue se encontra eivada de uma liberdade muito superior àquela que é oferecida pelo espaço de um jornal
4-O José Mário discorreu deliciosa e generosamente sobre as incidências da sua já longa actividade enquanto blogger (de esquerda). Iniciou com uma provocação (penso que foi ele), dizendo que uma das diferenças visíveis entres a direita e a esquerda na blogosfera são as caixas de comentários, a esmagadora maioria da esquerda tem, a direita nem por isso. (Pedro lomba respondeu que não sabia pôr). Contou um episódio expressivo do quanto é possível uma pessoa expor-se no blogue, em termos pessoais, sem ter disso a exacta noção: o leitor continuado de um blogue mais intimista pode reter muitos aspectos significativos acerca da vida do seu autor (oops!). Fez um comparativo com os jornais, onde salientou a existência temas e abordagens a que só é possível aceder na blogosfera (falou do avatares, eu juro que ouvi!).
5-O Pedro (do farol das artes) apresentou uma análise divertida e pontuada por uma arguta ironia acerca da relação dos blogues com os valores e instituições da nossa sociedade
6-O Mário (Retorta) falou acerca das comunhões que é possível estabelecer na blogosfera, tendo manifestado o seu desejo de que, por exemplo, a fotografia pudesse catalisar mais interesse e atenção. (A propósito o Mário deixa-nos belos fragmentos fotográficos do espaço onde decorreu o encontro.)
7-O Tiago (melhor anjo) apresentou um belo texto de cariz poético onde se expõem as ansiedades, desejos e realizações que a marcam o percurso de quem se dedica a ser blogger por lealdade a uma busca que se quer incerta.
8-Guilherme Statter, o sociólogo de serviço, fez um apanhado sobre os conteúdos tratados até então. Introduziu alguns conceitos, destaco: o capital social incrementado por um espaço de comunicação, debate e informação, como a blogosfera; o encanatamento tecnológico suscitado pela gostosa simplicidade com que podemos construir um blogue.
9-A Pedro Mexia foi a atribuída a ciclópica empreitada de lançar o debate. Não vacilou. Num discorrer diletante que cativa, Mexia referiu-se ao alargamento do espectro político-ideológico permitido pela blosgosfera, claramente mais vasto do que o circunspecto mundo partidário que surge na comunicação social. Biografou-se constatando que num ano com o Blogue fez mais inimigos dos que nas primeira décadas da sua vida, uma inevitabilidade que não o incomoda por demais, disse; sustentou que a blogosfera emerge mormente como um espaço de afirmação pessoal: “quem escreve é quem julga que em algo para dizer”, portanto, embora muitos digam o contrário, todos querem ser lidos e por quantos mais melhor (estava dao o mote).
Registo agora alguns dos momentos dos debates e das discussões.
Quem se apresentou com particular estilo foi uma blogger do Desejo casar que, após dizer o seu nome (não recordo), revelou epíteto do blogue, deixando desejosa toda um plateia que nunca tinha pensado tão seriamente no matrimónio. O João Nogueira do Socioblogue pôs em causa a meritocracia que Pedro Lomba afirmava entrever na blogosfera, assinalou a existência de Blogues muito bons que ninguém lê, colocando a hipótese de que, mais do que uma rede totalmente aberta. temos sistema que se regula por alguns nodos que conferem ou não notoriedade aos demais. Uma linha em que foi acompanhado por Joaquim Nogueira que nos trouxe também alguns dados do congresso sobre blogues decorrido em Braga. A Mónica (B20b) defendeu que os blogues não podem ser estigmatizados apenas como um hobby, sob o perigo de se descurarem as suas potencialidades enquanto uma extensão do trabalho científico. Rui (do Adufe) falou acerca de uma proverbial falta de uniformidade nas traduções realizadas em portugal de termos estrangeiros, algo que se nota no mundo dos bolgues, mas que também já sentiu na pela na sua vida profissional. Pedrof do contrafactos e argumentos brindou-nos com a sua erudição acerca de aspectos mais técnicos da blogosfera, das dificuldades e possibilidades para a organização de informação. Eu também mandei para lá umas postas reflexivas e analíticas, perdoarão mas tinha que justificar a viagem!

Creio que não me lembro mais nada, deixo-vos pois este texto pontuado de omissões e selectividades pelas quais desde já me sentencio. As incorrecções ou difamações aqui achadas têm direito de resposta.

Posted by: Bruno / Domingo, Novembro 02, 2003


Público, 3 de Novembro 2003 

Retratos do país em discussão informal na Sociedade de Geografia de Lisboa

Sapo Entra Hoje nos Blogues
Segunda-feira, 03 de Novembro de 2003

Pedro Fonseca

O Sapo inaugura hoje um novo serviço de criação e alojamento de blogues, situado em blogs.sapo.pt. O anúncio foi feito na passada quinta-feira durante o Encontro Informal de Blogues, que decorreu na Sociedade de Geografia de Lisboa sob o lema "Blogues, moda efémera ou meio de comunicação de futuro?" O Sapo junta-se assim a serviços portugueses como o Blogdot.org, o Daaz.pt, os E-diários do Diário Digital, o Blog.clubeinvest.com ou o mais utilizado Weblog.com.pt, com mais de 700 blogues registados.

Para o criador deste último serviço, Paulo Querido (também co-autor do livro "Blogs"), estes espaços pessoais na Web estão a substituir as antigas tertúlias de café, através de ferramentas de fácil uso, que substituem as anteriores mais acessíveis apenas a quem dominasse a informática. No entanto, 40 por cento dos blogues criados por portugueses terminam, em média, ao fim de três meses - referiu Paulo Querido.

Como explicou no Encontro, "o blogue não é a ferramenta mas a comunicação", tal como não interessa de que é feito um automóvel mas o que ele permite fazer. Nesse sentido, são uma "esfera de convívio e troca de ideias, sem [o seu autor] precisar de se deslocar geograficamente - não são precisos mapas", referiu, puxando por uma ideia mais tarde repetida tendo em conta o local do evento. Para o sociólogo Guilherme Statter, os blogues "são como as epístolas, são cartas abertas".

Querido lembrou ainda as "três crises de crescimento" que atravessou com o seu serviço Weblogs em Portugal. A primeira foi técnica e derivada de não poder acrescentar mais de 250 blogues. Seguiu-se o cansaço de ter de introduzir os vários blogues à mão, o que durou uns 15 dias, até arranjar uma solução automática. Finalmente, a terceira crise é actual e resulta de o servidor onde se encontra o serviço estar "perto do limite", "servindo 3 a 4 páginas por segundo". Será necessário um computador mais potente para não diminuir a capacidade de acesso dos utilizadores.

Pareceu unânime que a maioria dos 400 utilizadores regulares destes serviços (nacionais ou estrangeiros) não se preocupam com estas questões técnicas - apenas querem que os seus blogues funcionem. Como sintetizou Pedro Lomba, do Flor de Obsessão, "ter um blogue é importante para a minha vida". É um exercício de prática escrita normalmente diária, que recomenda a quem quer escrever.

Tendo sido um dos fundadores da Coluna Infame - com Pedro Mexia e João Pereira Coutinho, que lançou na semana passada um novo blogue pessoal -, Lomba lembrou que o aparecimento desse blogue derivou da "vontade de chatear, de provocar", sendo os seus três autores assumidamente de direita. E queriam "criar uma coisa completamente livre". Lomba reconhece que, mesmo procurando só escrever o que lhe apetece nos jornais, "a imprensa tem um público mais institucional e, num jornal, a liberdade não é total", mas também porque certos textos apenas fazem sentido nos blogues.

"Ninguém está nos blogues se não for narcisista", referiu ainda, ganhando "quem escrever melhor". Sendo uma edição pública, pode chamar a atenção de directores de jornais ou de editores livreiros. Um blogue "é como um exercício de escrita, obriga a ter disciplina, é fácil, é gratuito e recompensa ter pessoas que dizem não gostar do que eu escrevo".

Também Pedro Mexia, do Dicionário do Diabo, alinhou no mesmo discurso: "Um blogue ou uma coluna de opinião é de alguém que tem a presunção - pateta, com certeza - de que tem algo a dizer", quer ser citado e ter algum retorno comunicacional dos leitores. Por isso, "é necessário descriminalizar essa ideia do sucesso, da audiência."

Lembrando que "um blogue é um 'hobby' não remunerado", Pedro Mexia salientou ainda como conseguiu mais inimigos num único ano a escrever em blogues do que em toda a sua vida. Mas nem tudo é tão mau nos blogues, lembrou, salientando que, enquanto no Parlamento existem cinco partidos políticos, "na blogosfera há 55 tendências políticas e isso contribui para a saúde democrática da sociedade".

Nem sempre, como sintetizou José Mário Silva, do Blog de Esquerda, relativamente aos comentários que muitos blogues disponibilizam para interagir com os seus leitores, porque "há pessoas que ultrapassam o limite da civilidade". Aliás, ainda nesta questão dos comentários, lembrou como são os blogues de esquerda que mais disponibilizam esta funcionalidade: "Os de direita não têm mas vêm comentar nos de esquerda".

Insistindo que "não é justo esquecer os blogues que já existiam antes da Coluna Infame ou do Abrupto" e que mediatizaram o fenómeno, José Mário Silva salientou a necessidade de se guardar alguns destes "retratos do país". Eles são complemento dos médias tradicionais, "antecipam temas dois ou três meses" antes de a comunicação social atentar neles e dão resposta a uma carência nos espaços de opinião - como, aliás, concordaram outros presentes no Encontro. Por outro lado, há também uma "experimentação da língua" na blogosfera, com "algumas dezenas ou mais de blogues muito bem escritos".

De um ponto de vista mais sociológico, Guilherme Statter olha para os blogues como um espaço de "adensamento e aumento do capital social", e, no seu entender, é um "reflexo da sociedade de onde emana". Tal como as sociedades crescem, evoluem e mudam, o mesmo deverá suceder com este espaço público. Ou, como finalizou José Mário Silva sobre a blogosfera: "Não sei que futuro vai ter, mas sei que vai ter futuro."

http://jornal.publico.pt/2003/11/03/Computadores/TI01.html



1.11.03

Posts dos participantes 



Se não houver nada contra, ao longo da próxima semana, todos os posts relativos ao Encontro e algumas contribuições que queiram fazer por email, serão acrescentados a este blog.


Agradecimentos 



a todos os participantes do Encontro.

Participações activas, presença, informações, ideias, reflexões, discussão, discordância, risos, apertos de mão, comentários, piadas. Foi um encontro informal, numa sala de estátuas de navegantes e de navegantes virtuais, numa tarde em que, na Sociedade de Geografia, se tentou mapear aquilo que se mantém ainda um esboço titulado por uma frase, 'here be dragons': a blogsfera.


29.10.03

O encontro é de entrada livre e de porta aberta 



Blogues, moda efémera ou meio de comunicação de futuro?
30 de Outubro, Lisboa

Programa:

15h - Boas vindas pelo presidente da Sociedade de Geografia.
15h15m - O que é um blog/weblog? Por Paulo Querido.
15h30m Intervenções, informais, aceitam-se ainda inscrições no local para ainda queira inscrever-se.
18h Comentário crítico por Guilherme Statter (sociólogo), este comentário prepara o debate que se segue.

Intervalo.

19h Relançamento dos trabalhos com debate livre - Sessão independente da primeira, totalmente aberta, de novo. Moderador: José Mário Silva. Duração prevista: entre uma hora e uma hora e meia.

Local: Sociedade de Geografia em Lisboa, rua das Portas de Santo Antão. Edifício do Coliseu dos Recreios de Lisboa. Porta do lado esquerdo do edifício. Sala Algarve no segundo andar. O bar/café, estará aberto até às 19h.


28.10.03



Informamos que Eduardo Prado Coelho não vai poder estar presente no Encontro.

O comentário crítico será feito pelo Professor Guilherme Fonseca Statter, sociólogo.

Paulo Querido, co autor do único livro sobre Blogs em Portugal, irá fazer a abertura, explicando o conceito de blogue.


24.10.03

Moderador do Debate 


O novo moderador do debate será José Mário Silva do Blog de Esquerda.
Ricardo de Araújo Pereira estará presente e comunica.


23.10.03

Falta uma semana 



Para além dos participantes já anteriormente indicados, Pedro Lomba confirmou a sua presença no encontro informal de Blogues na Sociedade de Geografia.

Por outro lado, lamentamos informar que Carlos Vaz Marques não vai poder participar no encontro.



14.10.03

15 de Outubro 



Paulo Querido e Luís Ene lançam Livro e convidam Bloggers.

E já agora Paulo Querido também vai estar no encontro de Blogues da Sociedade Geografia a 30 de Outubro, bem como Pedro Mexia, José Mário Silva e Eduardo do Prado Coelho entre muitos outros participantes que vamos divulgando por aqui.

27.9.03

Moderador do Debate 



É também definitivo, o moderador do debate, na segunda parte do Encontro na Sociedade de Geografia é Carlos Vaz Marques, jornalista. Tem blog que pode ser encontrado aqui.


19.9.03

O encontro está de pé 



Pode-se afirmar com certeza, é oficial:

Encontro de Blogues na Sociedade de Geografia a 30 de Outubro.

Subtítulo do encontro:

Blog, meio de comunicação de futuro ou moda efémera

Uma iniciativa da Sociedade de Geografia de Lisboa, Rua das Portas de Sto. Antão. Por cima do Coliseu dos Recreios.

Início dos trabalhos 15h, abertura pelo presidente da Sociedade de Geografia, período de comunicações, que se seguirá até cerca das 18h. As comunicações poderão ser pequenas intervenções, discursos breves ou intervenções solicitadas no próprio local. Existe retroprojector e microfone, não existe, infelizmente, aparelho de projecção ligado a computador. No final serão feitos comentários sobre as intervenções, comentários que lançarão o debate que se seguirá.

O tema das intervenções é livre, mas pretende-se que seja reflexivo, que não seja uma continuação de cada blogue. Aspectos técnicos, explicações de possiblidades de colocar imagens e sons, de dar interactavidade aos blogues são também bem vindos. Abordagem semiótica, sociológica, psicológica, literária, política, económica, científica, pessoal e emotiva, humorística, o anónimo versus assinado, o sistema de arquivar textos, abordagem jornalística, o conceito de realidade e de ficção, os limites legais; tudo pode ser abordado.

Intervalo cerca das 18h, com algum tempo de repouso.

Debate alargado a todos os presentes um pouco depois, e moderado. Espera-se poder ter no debate a audiência que não pode comparecer antes por motivos profissionais...

Entrada livre em todos os momentos deste encontro, excepto no almoço prévio, cuja inscrição deve ser feita até 21 de Outubro e é limitada aos 25 primeiros inscritos, por motivos óbvios.


18.9.03

Incrições 

Quem quiser inscrever-se, informalmente, pode fazê-lo. É útil para a previsão da sala a usar e para a distribuição dos tempos. Os inscritos devem fornecer o nome dos blogues e o link correcto no email, para esse link ser aqui colocado, se o desejarem.
Quem quiser comparecer para almoçar deve inscrever-se até 21 de Outubro.

Programa será dentro dos moldes já divulgados, mas será anunciado mais próximo do dia 30 de Outubro.

Confirma-se 


O Local, Sociedade de Geografia, já oferecido pela Direcção.
A data de 30 de Outubro está praticamente certa.
A iniciativa foi aceite e apadrinhada pela Sociedade de Geografia de Lisboa. Mais detalhes aqui. Brevemente.


15.8.03

DSG 


A discussão perspectiva-se para a Sociedade de Geografia de Lisboa, para 30 de Outubro, local e data ainda a confirmar, mas que se apontam como favoráveis.

A ideia do encontro nasceu por um simples almoço, mas desenvolveu-se e partiu para um encontro mais alargado e organizado, uma vez que num almoço não se consegue discutir nenhum assunto com a participação de todos e com seriedade. Espera-se, no entanto, manter um nível de desorganização salutar que favoreça a troca de ideias desinibida e franca entre todos os presentes sem demasiados espartilhos formais.

Este encontro nada tem a ver com o encontro da Universidade do Minho, nem pela positiva nem pela negação. Consideramos o evento da Universidade do Minho meritório, com importância muito elevada, um encontro académico seríssimo.

A DSG pretende ser informada, com pendor cultural e analítico, virada para a participação de todos os autores de blogues, ou outros interessados e, sobretudo, virada para a sociedade em geral. Aberta ao mundo, tentando, se possível, a afirmação deste meio de comunicação e de projecção como instrumento livre e de futuro. Fugindo do enquistamento, alargando horizontes. Falar de humor, de cultura, de sexo, de política, de sociedade, de economia, do Homem enfim. Pretendemos também este acto como um encontro de amigos, como partilha de experiências e técnicas, por isso vamos ter intervalos para conversa informal, também, e por consequência, sugerimos o almoço prévio.

O programa previsto será muito simples: almoço, abertura rápida, comunicações pelos inscritos (previamente), intervalo, debate final com moderação por um jornalista e autor de blogue, com muita experiência na área. Início do almoço12h30m. Início da sessão 14h30m, fecho dos trabalhos 19h30m.

Se o número de inscritos for muito elevado terá de ser feita uma redução dos tempos, podendo todos os interessados falar no debate.

Será constituída uma comissão para tratar da organização no próprio dia, da qual eu não faço parte, nem quero fazer. Os elementos da comissão serão autores dos mais diversos blogues e terá ainda, previsivelmente, elementos designados pela Sociedade de Geografia.

Quem quiser poderá apresentar os textos das comunicações que serão publicados posteriormente sob forma electrónica.

A DSG será gravada em vídeo e em áudio, será totalmente aberta aos meios de comunicação social, alguns excertos serão passados numa rádio de Lisboa.

O encontro não tem qualquer finalidade comercial, não será cobrada qualquer taxa por participação. Quem quiser almoçar paga o almoço à Sociedade de Geografia no restaurante da mesma. Os preços são inferiores a 10 euros, segundo creio.

Os maiores cumprimentos a todos do

Crítico

Discussão Informal de Blogues na Sociedade de Geografia 


Este blogue destina-se a preparar e a reflectir sobre a Discussão na Sociedade de Geografia prevista para 30 de Outubro.

Uma discussão informal.
Um encontro de amigos.
Uma tertúlia.

Aceitam-se sugestões.

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